Rua Doutor Pereira, 50 



As fachadas e os telhados que ornamentam as construções históricas do centro de Paraty preservam a essência de um passado de glória. O mais harmonioso conjunto arquitetônico do Brasil colonial exibe casas e igrejas erguidas há séculos, com portas e janelas que resistem ao tempo e à maresia. São testemunhas das riquezas que dali partiam para o mundo: o açúcar dos engenhos da vizinhança, o ouro e os diamantes de Minas Gerais, o café do Vale do Paraíba, e até as pessoas que abandonaram a cidade quando ela deixou de ser sua única rota possível...
Traçadas seguindo os pontos cardeais e cobertas de pedras tão irregulares que são chamadas “pés-de-moleque”, hoje as ruas do centro de Paraty deleitam-se com a poesia de suas festas literárias e com o sossego da vida que segue o vai-e-vem das marés.
Foi em meados do século XVI que surgiram os povoados que dariam origem a Paraty. A cidade se tornaria autônoma em 1667. Desde aquela época, a ocupação seguiu normas rígidas, que deram à cidade seu aspecto singular e garantiram sua permanência. Tombada pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o centro de Paraty deixou a modernidade passar ao largo, sem molestá-la. Agora, candidata-se naturalmente ao posto de Patrimônio da Humanidade.
Os elos das grossas correntes que impedem a passagem de carros são como guardiões da memória da cidade. Nela, a história vive e é vivida em cada peça de artesanato à venda em seu charmoso comércio. Em cada peixe levado ao fogo no dia em que foi pescado. Em cada conversa que flui leve nos vários idiomas de seus visitantes. E em cada gole da cachaça que faz parte da atmosfera local.
É nesse cenário mágico que está a Casa Turquesa. Seu restauro, a cargo do arquiteto Renato Tavolaro, que desde a década de 1970 se especializou no estilo peculiar de Paraty, demandou um meticuloso levantamento de dados sobre as origens da construção. As suítes ganharam todo o conforto dos dias de hoje sem perder o espírito do tempo em que o imóvel foi erguido. “Adaptamos a originalidade de uma construção histórica às necessidades de uma pousada atual”, diz Tavolaro, que cuidou também da decoração junto à proprietaria Tetê Etrusco . “Inclusive a cor turquesa, que dá nome à casa, entra sutilmente em alguns detalhes”. Aparecendo ora num parapeito, ora num sofá, ora numa jacuzzi, a cor turquesa parece fundir o azul do mar com o verde da Mata Atlântica, num tom alegre e relaxante.